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Autismo em adultos · 6 min de leitura

Mascaramento: o custo de parecer adaptado

Muitos adultos autistas aprendem a imitar o que se espera deles. A pesquisa começa a medir o preço dessa performance.

Por Resiliente · 28 de setembro de 2026

Ilustração: homem de perfil segura uma máscara oval em branco diante do rosto, entre formas geométricas ocre, azul e cinza.

Na literatura científica, “camuflagem social” (ou mascaramento) descreve o conjunto de estratégias que algumas pessoas autistas usam para reduzir a visibilidade de suas características em contextos sociais. O termo ganhou força a partir do estudo qualitativo de Hull e colaboradores (2017), que entrevistou adultos autistas sobre o que faziam — e por quê.

O que a pesquisa descreve

Os participantes relataram três grupos de comportamentos, organizados pelos autores como motivações, técnicas e consequências:

  • estudar e reproduzir expressões faciais, gestos e roteiros de conversa;
  • forçar contato visual ou simular interesse em temas sociais esperados;
  • suprimir movimentos repetitivos e respostas sensoriais;
  • preparar antecipadamente falas para situações previsíveis.

Os motivos citados incluíam ser aceito, evitar exclusão ou bullying e conseguir trabalho e relações. Entre as consequências relatadas, aparecem exaustão, ansiedade e a sensação de não saber mais quem se é fora da performance.

A adaptação visível pode esconder um esforço invisível.

Consenso e perguntas abertas

Há concordância crescente de que a camuflagem existe e pode contribuir para diagnósticos tardios, já que torna certas características menos aparentes. O DSM-5-TR reconhece que os sintomas podem ser mascarados por estratégias aprendidas na vida adulta.

Ainda estão em pesquisa: como medir camuflagem de forma confiável, qual a sua relação causal com burnout e saúde mental, e por que ela parece variar entre grupos. Esses pontos devem ser lidos como hipóteses em investigação, não como conclusões.

Referências

  1. 01Hull, L., Petrides, K. V., Allison, C., et al. (2017). “Putting on My Best Normal”: Social Camouflaging in Adults with Autism Spectrum Conditions. Journal of Autism and Developmental Disorders, 47, 2519–2534. Fonte original
  2. 02American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., Text Revision (DSM-5-TR). Fonte original
  3. 03Livingston, L. A., & Happé, F. (2017). Conceptualising compensation in neurodevelopmental disorders: Reflections from autism spectrum disorder. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 80, 729–742. Fonte original
  4. 04Lai, M.-C., Lombardo, M. V., & Baron-Cohen, S. (2014). Autism. The Lancet, 383(9920), 896–910. Fonte original

Este conteúdo tem finalidade informativa e educacional. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento profissional.

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